O que era para ser a solução histórica para os problemas de alagamento em Camaçari parece ter entrado em um verdadeiro ciclo sem fim. Quinze anos após ser anunciado como um dos maiores projetos de urbanização da cidade, a revitalização do Rio Camaçari volta, mais uma vez, à estaca inicial.
Lá em 2011, o então prefeito Luiz Caetano apresentou um ambicioso projeto de mais de R$ 280 milhões, prometendo transformar a realidade de 19 bairros, com obras de drenagem, urbanização e recuperação ambiental.
Mas o que veio depois foi bem diferente do planejado.
Nos anos seguintes, denúncias, paralisações e problemas na execução marcaram a obra. Investigações apontaram irregularidades, incluindo suspeitas de superfaturamento, desvios de recursos e falhas em contratos, que acabaram travando o andamento do projeto .
Em 2018, já sob a gestão de Antônio Elinaldo, a situação ganhou novos contornos. O então prefeito afirmou que o município precisou devolver recursos à União por conta de irregularidades na aplicação do dinheiro destinado às intervenções no rio — um episódio que aprofundou ainda mais o histórico problemático da obra.
Agora, em 2024, Caetano retorna à prefeitura. E, em 1º de abril de 2026, anuncia — novamente — a autorização para uma nova etapa das obras, desta vez com investimento superior a R$ 100 milhões, em parceria com os governos estadual e federal.
A proposta segue familiar: combater alagamentos, melhorar a drenagem e trazer mais segurança para a população.
O roteiro também.
Com presença de autoridades como o ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner, o evento marca mais um capítulo de uma obra que já foi promessa, virou problema e agora tenta, mais uma vez, se apresentar como solução.
Enquanto isso, para a população que convive há anos com os impactos do rio, fica a sensação de repetição: muda o discurso, mudam os valores, mas a obra segue presa entre anúncios e recomeços.
