Tem algo que venho observando com frequência e que, sinceramente, tem me incomodado profundamente. Pensando sobre o que escrever esta semana, achei mais do que pertinente trazer esse assunto, principalmente pela importância que a Câmara Municipal tem na vida de uma cidade como Camaçari, que, com mais de 300 mil habitantes, ampliou sua representação no Legislativo, passando de 21 para 23 vereadores.
Essa expansão é relevante justamente para fortalecer a representatividade e atender às crescentes demandas da população, que só aumenta a cada ano. Em tese, isso deveria significar mais trabalho, mais vozes e mais compromisso com os interesses da cidade.
Mas o que tenho visto com uma frequência que chega a ser desrespeitosa é a bancada governista simplesmente se retirar da plenária durante as sessões. Eles aparecem, defendem as matérias de interesse do governo, mas, na hora dos assuntos gerais, que é justamente o momento de ouvir, debater, prestar contas e discutir os problemas da cidade, saem. Todos. Não fica um. Nenhum sequer.
E aí eu me pergunto, qual é o real motivo dessa postura dos vereadores da base do governo? Porque, sinceramente, só posso acreditar que seja para não se expor, para não ter que dar satisfação à população sobre a ausência de ações da gestão na saúde, na assistência social, no transporte, enfim, na vida real das pessoas. E convenhamos, a promessa de mudança foi enorme e a expectativa da população é, naturalmente, proporcional.
A casa legislativa deve ser, antes de tudo, um espaço de diálogo, de escuta e de fiscalização. A ausência sistemática dos vereadores do governo demonstra uma falta de respeito não apenas com o povo, mas também com o próprio mandato que lhes foi confiado e, sobretudo, com a democracia. É fundamental que os representantes eleitos cumpram seu papel, participem ativamente das sessões e prestem contas à cidade.
A população de Camaçari merece uma Câmara atuante, transparente e comprometida com os interesses coletivos. É hora de exigir responsabilidade, respeito e, principalmente, a presença efetiva de quem foi eleito para representar, e não para se esconder.
Lorena Railanna da Costa Mendes – Relações Públicas e Graduanda em História.
