Vazamento de áudio com falas racistas e misóginas expõe presidente da Câmara de Dias d’Ávila, Junior do Requeijão

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Um áudio atribuído ao presidente da Câmara de Vereadores de Dias d’Ávila, Júnior do Requeijão (PSDB), circula nas redes sociais nesta quarta-feira (8) e tem gerado forte repercussão. Na gravação, o parlamentar profere ofensas violentas contra sua irmã, a empresária Marileide Moraes, e o companheiro dela, Léo Mineiro, ex-candidato a vereador.

A reportagem do Mais Região apurou que o áudio é um dos quatro enviados pelo vereador à irmã via WhatsApp na terça-feira (7). Nas gravações, Júnior do Requeijão utiliza expressões agressivas, com conteúdo sexual, misógino e, em alguns trechos, de teor claramente racista ao se referir a Léo Mineiro, que é negro.

Entre os ataques, o parlamentar diz: “Tu foi apoiar o teu macho, o negão. Machão que não fode mais com ninguém… Aquele negro véio feio fedorento”, além de xingamentos como “puta véia safada”, “cachorra véia sem vergonha” e “rapariga véia” dirigidos à irmã.

Uma análise detalhada das declarações de Júnior do Requeijão revela que suas falas podem se enquadrar em diferentes dispositivos legais. No caso das agressões verbais dirigidas à irmã, o conteúdo evidencia elementos de violência psicológica e moral, previstos na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que protege mulheres vítimas de humilhações, insultos e condutas que causem abalo emocional e dano à autoestima. Já as ofensas proferidas contra o cunhado, com menções pejorativas à cor da pele, apresentam características de injúria racial, tipificada pela Lei nº 14.532/2023. A situação do parlamentar se agrava ainda mais por ter feito uso de um meio de comunicação digital (WhatsApp), o que, conforme a legislação, torna a conduta mais grave por sua natureza pública e potencial de ampla difusão.

Procurada pelo Mais Região, Marileide Moraes afirmou que tomará, nesta quinta-feira (9), “as medidas judiciais cabíveis” junto com o companheiro. A empresária também relatou que o conflito com o vereador teve início após a morte do irmão José Bosco, em 2018, e que as divergências teriam “viés pessoal e familiar”.

A repercussão do caso gerou forte indignação nas redes sociais, com internautas e lideranças locais cobrando um posicionamento da Câmara de Dias d’Ávila e do PSDB sobre o comportamento do presidente do Legislativo.

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